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Política

Dino inclui indústria em discussão sobre fim da escala 6x1, mas veta debate sobre redução da jornada

Entidades empresariais questionam prazos de transição, acordos coletivos e regras para pequenas empresas; audiência será na terça-feira, 10

Por | Publicado em: 06/11/2026 10:12:14 | Fonte: Revista Oeste

Dino inclui indústria em discussão sobre fim da escala 6x1, mas veta debate sobre redução da jornada
O ministro Flávio Dino, durante sessão plenária no STF - 29/2/2024 | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Nesta sexta-feira, 6, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em uma audiência de conciliação sobre o fim da escala de trabalho 6×1. O encontro está marcado para a terça-feira 10, às 14h, e reunirá representantes de empresários, trabalhadores e órgãos públicos.

Na decisão, Dino estabeleceu que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a ampliação do repouso remunerado para dois dias não poderão ser rediscutidas durante a audiência.

“Não estão em discussão a redução da jornada semanal nem a ampliação do repouso semanal remunerado”, avisou o ministro.

A CNI ingressou no Supremo com uma ação direta de inconstitucionalidade contra dispositivos da Emenda Constitucional nº 141/2026, aprovada pelo Congresso Nacional em outubro. A norma ficou conhecida como “Emenda do Fim da Escala 6×1”.

O pedido da indústria apresenta argumentos semelhantes aos de outra ação, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), também sob a relatoria de Dino.

O ministro decidiu reunir as duas ações na mesma audiência para discutir os pontos questionados pelas entidades empresariais.

O que será discutido no STF

Embora tenha excluído a redução da jornada e a ampliação do descanso semanal da negociação, Dino autorizou o debate sobre as condições de implementação das novas regras trabalhistas.

Entre os pontos questionados pela indústria e pelo comércio estão a validade dos acordos coletivos em vigor, as restrições à negociação de regimes diferenciados de trabalho e o prazo de transição para a aplicação das mudanças.

As entidades também contestam o tratamento previsto para microempresas e empresas de pequeno porte, além dos efeitos da emenda sobre contratos celebrados com a administração pública.

Segundo Dino, a audiência deverá esclarecer dúvidas jurídicas, solucionar possíveis contradições e permitir negociações entre representantes de empregadores e trabalhadores, sem alterar as mudanças aprovadas pelo Congresso.

O ministro também admitiu a realização de novas reuniões para examinar questões que não sejam resolvidas no primeiro encontro.

Dino cobra explicações do Congresso

Na mesma decisão, Dino determinou que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal apresentem informações sobre a emenda constitucional no prazo de cinco dias.

Depois, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) terão, sucessivamente, três dias cada para se manifestar.

A audiência será realizada na Sala de Sessões da Primeira Turma do STF, sob a presidência de Dino, com o auxílio da juíza Amanda Thomé.

Foram convocadas confederações sindicais empresariais, centrais sindicais, representantes jurídicos do Congresso, AGU e PGR. Cada entidade poderá indicar até dois participantes.

Dino ainda não decidiu o pedido de liminar apresentado pela indústria. O ministro ressaltou que a tentativa de conciliação não dispensa futuras decisões dele próprio ou do plenário do Supremo sobre a constitucionalidade dos dispositivos questionados.

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