Em publicação nas redes sociais, o advogado Jeffrey Chiquini reforçou as provas contra a alegação de que Filipe Martins, assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República durante o governo Jair Bolsonaro, teria acessado a rede social LinkedIn. Chiquini classificou a ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “abuso de autoridade e vingança”.
Ao criticar a decisão de Moraes, o advogado destacou que as medidas cautelares incluíam a proibição de postagens em redes sociais, e não de acesso às plataformas. Além disso, afirmou que a sanção prevista para eventual descumprimento da cautelar seria multa, e não prisão.
“Está provado que Filipe Martins foi preso injustamente”, afirmou Chiquini. “O nome disso é abuso de autoridade. É por isso que um juiz não pode ser parcial, só pode agir mediante provocação. O ministro Alexandre de Moraes não deu bola para nossa alegação e, de forma precipitada, por vingança, prendeu Filipe Martins.”
“O ministro sequer mandou oficiar o LinkedIn para averiguar a veracidade das informações”, completou.
“Filipe Martins deve ser colocado imediatamente em liberdade”, escreveu Chiquini em publicação no X. “Temos a prova de que não houve acesso ao LinkedIn.”
Moraes ignorou defesa de Filipe Martins
Em 27 de dezembro de 2025, Moraes determinou a prisão domiciliar de Filipe Martins, com o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão também proibiu a publicação em redes sociais, de forma direta ou por meio de terceiros.
Em 29 de dezembro, o STF recebeu e anexou aos autos uma denúncia informando que Filipe teria utilizado a rede social LinkedIn para buscar perfis de outras pessoas.
No mesmo dia, Moraes notificou a defesa e deu 24 horas para esclarecimentos. Os advogados afirmaram que Martins não tinha acesso a contas de redes sociais e negaram qualquer uso das plataformas depois da imposição das medidas cautelares.
Mesmo assim, o ministro do STF afirmou que houve desrespeito às regras impostas e ao ordenamento jurídico. Na manhã de 2 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-assessor de Bolsonaro em sua residência, em Ponta Grossa (PR).
A defesa reiterou que Martins não utilizou o LinkedIn nem qualquer outra rede social, sustentando que a conta atribuída a ele permanece inativa desde abril de 2023.
Registros da Microsoft comprovam que não houve acesso
A defesa apresentou registros da Microsoft que indicam ausência de acesso à rede social depois da cautelar.
Indagados por Moraes, os advogados afirmaram que passaram a administrar as contas de Martins desde sua prisão, em fevereiro de 2024. Eles explicaram que um advogado contratado nos Estados Unidos acessou a plataforma naquele período.
Os advogados afirmaram que usaram as contas apenas para levantamento de informações jurídicas, sem postagens, e limitaram o acesso à análise de dados antigos.
Moraes rejeitou a justificativa. O ministro do STF destacou que a proibição alcança o uso direto ou indireto das plataformas e manteve a prisão preventiva.