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Política

João Campos é alvo de pedido de impeachment

Mobilização parlamentar e pressão popular impulsionam ação contra o prefeito

Por | Publicado em: 07/01/2026 10:10:56 | Fonte: Revista Oeste

João Campos é alvo de pedido de impeachment
O prefeito do Recife, João Campos | Foto: Divulgação/PSB

A Câmara Municipal do Recife recebeu um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB) em meio à controvérsia sobre uma nomeação em concurso público. A iniciativa partiu do vereador Eduardo Moura (Novo), que atribui ao chefe do Executivo a responsabilidade por um ato que contrariou regras do edital e gerou forte reação política.

Segundo Moura, a nomeação configurou irregularidade grave. “Houve uma clara ‘furada de fila’ em um concurso público, com o aval do chefe do Executivo, o que caracteriza crime de responsabilidade e infração político-administrativa”, afirmou o parlamentar.

O caso envolve a nomeação de Lucas Vieira da Silva para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). O concurso ocorreu em 2022 e foi homologado em junho de 2023. Mesmo classificado na 63ª posição, o candidato acabou nomeado em dezembro de 2025, depois de solicitar reclassificação como PCD mais de três anos depois da prova.

Reversão de decisões técnicas e reação política

Antes da nomeação, três procuradoras concursadas do município rejeitaram, em decisões técnicas sucessivas, o pedido de reclassificação. O cenário mudou quando o processo chegou ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito. Em 20 de dezembro de 2025, ele reverteu os pareceres. Três dias mais tarde, a Prefeitura do Recife oficializou a nomeação no Diário Oficial.

A repercussão negativa levou a gestão municipal a cancelar o ato. Para Moura, a revogação não elimina a responsabilidade do socialista. “Quando o prefeito descumpre o edital, ele pratica um ato contra a expressa disposição legal”, declarou.

O vereador do Novo sustenta que a conduta viola a Lei Orgânica do Município, a Lei de Improbidade Administrativa e o Decreto-Lei 201. “Os atos atentam contra a probidade administrativa e contra o cumprimento das leis, o que configura crime de responsabilidade”, disse.

Moura também questionou o período em que a vaga permaneceu aberta. Segundo ele, outro candidato tinha o direito de ocupar o posto desde outubro de 2025. O parlamentar ainda levantou suspeitas de favorecimento, ao citar vínculos familiares do nomeado com autoridades do sistema de Justiça em Pernambuco.

CPI contra João Campos também avança

Paralelamente ao pedido de impeachment, vereadores articulam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso. O protocolo da CPI avançou e está a quatro assinaturas do número necessário, segundo informações já divulgadas pela Revista Oeste.

O vereador do Novo avalia que a pressão externa teve papel decisivo até aqui. “A pressão popular foi fundamental para barrar a nomeação, e agora é essencial para que o pedido de impeachment avance”, afirmou.

Para que o processo de impeachment seja admitido, são necessárias assinaturas de dois terços dos vereadores. Se a Câmara aceitar a acusação, o prefeito poderá ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco por crimes comuns e de responsabilidade.

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