Moraes nega ida de Bolsonaro, com traumatismo craniano, ao hospital
Ministro do Supremo Tribunal Federal exige, em despacho, apresentação de laudo médico para reavaliar encaminhamento ou não ao DF Star
Por | Publicado em: 07/01/2026 10:13:04 | Fonte: Revista Oeste
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para autorizá-lo a realizar exames em um hospital. O magistrado requisitou aos advogados o detalhamento dos exames necessários para analisar se poderiam ser realizados no próprio sistema penitenciário.
Depois da decisão, os advogados do ex-presidente apresentaram a lista de exames solicitados e reiteraram o pedido para realizar imediatamente os procedimentos em um hospital particular.
A defesa do ex-presidente fundamentou o pedido em um relatório do médico Brasil Ramos Caiado, que descreveu sintomas de traumatismo craniano, síncope (desmaio) noturna, crise convulsiva ainda a esclarecer, perda temporária de memória e ferimento na cabeça.
A lista de exames recomendados inclui tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética e eletroencefalograma.
PF mudou posicionamento sobre atendimento médico
Depois de cair durante a madrugada desta terça-feira, 6, na cela onde cumpre pena, Bolsonaro recebeu atendimento médico da Polícia Federal (PF), em Brasília, mas a corporação não o encaminhou ao hospital.
O ex-presidente, de 70 anos, sentiu-se mal e bateu a cabeça em um móvel, conforme relato da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais, posteriormente confirmado pelo cirurgião Claudio Birolini, que atestou traumatismo cranioencefálico.
Ao longo do dia, uma reviravolta marcou a condução da PF em relação ao atendimento médico do ex-presidente. Inicialmente, a corporação confirmou que levaria o ex-presidente ao Hospital DF Star para exames, mas recuou e condicionou o traslado à autorização do STF.
Moraes já havia decidido que, em situações de emergência, o encaminhamento médico pode ocorrer sem necessidade de solicitação prévia. No entanto, a PF afirmou que não considera o caso emergencial.
Bolsonaro se recupera de cirurgia recente
O incidente ocorre dias depois de Bolsonaro ter recebido alta do Hospital DF Star, onde ficou nove dias internado depois da cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e bloqueio do nervo frênico, procedimento realizado para conter crises persistentes de soluço.
A internação começou em 24 de dezembro e terminou em 1º de janeiro. Desde o retorno à custódia da PF, aliados relataram melhora nas crises de soluço, apesar de queixas sobre dificuldades para dormir em razão do barulho do ar-condicionado da cela.
Preso desde o fim de novembro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, determinada pelo STF por suposto envolvimento na chamada “trama golpista”.